Grito Profético em Defesa dos Rios da Amazônia
No Dia Mundial da Água, somos convidados a refletir sobre o valor da água e sua importância para a vida no planeta. Mais do que um recurso natural, a água é um bem essencial e um direito de todos. Na Amazônia, ela é também fonte de vida para os povos, para a floresta e para toda a criação.
Diante das diversas ameaças que recaem sobre os rios amazônicos, torna-se urgente levantar a voz em defesa dessas águas que sustentam vidas, culturas e territórios. Por isso, ecoa entre nós um grito que nasce da consciência, da fé e do compromisso com a vida:
“Tirem as mãos dos rios da Amazônia! Os rios não se vendem, os rios se defendem!”
Os rios da Amazônia são verdadeiros caminhos de vida. Neles correm a história, a cultura, a espiritualidade e o sustento de inúmeros povos. Para os povos originários, ribeirinhos e comunidades tradicionais, os rios não são apenas vias de transporte ou fontes de recursos naturais. Eles são parte essencial da própria existência, lugares de memória, de espiritualidade e de relação profunda com a natureza.
Quando os rios são ameaçados, não é apenas a água que está em risco. Está em risco a vida dos povos que dependem deles, a biodiversidade da floresta e o equilíbrio de todo o ecossistema amazônico. Se os rios morrem, os povos também sofrem, pois sua vida está profundamente interligada às águas, às florestas e aos territórios.
Como Missionárias de Jesus Crucificado (MJC), comprometidas com a defesa da vida, da dignidade humana e com o cuidado da Casa Comum, sentimo-nos chamadas a reafirmar nossa solidariedade e apoio às comunidades e aos povos que lutam pela proteção dos rios da Amazônia. A fé que professamos nos impulsiona a assumir uma postura profética diante das injustiças que ameaçam a vida.
Nesse contexto, as discussões relacionadas ao Decreto nº 12.600/2025 despertam preocupação e exigem atenção da sociedade. A água não pode ser tratada como mercadoria ou privilégio de poucos. Ela é um bem comum, dom da criação e direito sagrado de todos os povos.
Defender os rios da Amazônia é, portanto, defender a vida em todas as suas dimensões. É cuidar da floresta, proteger os territórios e garantir dignidade para as populações que há séculos convivem em harmonia com essas águas.
Diante desse cenário, reafirmamos nosso compromisso de continuar caminhando ao lado dos povos da Amazônia na defesa das águas, da floresta e da vida. Que nossa voz se una à de tantos outros homens e mulheres que, movidos pela esperança, não se cansam de lutar por justiça socioambiental.
Porque, no coração da Amazônia, uma verdade permanece viva: Defender os rios da Amazônia é defender a vida.