Missionárias de Jesus Crucificado

Missionárias de Jesus Crucificado

Missionárias comprometidas com o Sínodo para a Amazônia

 Missionárias comprometidas com o Sínodo para a Amazônia

 

“O Sínodo dos Bispo deve torna-se cada vez mais um instrumento privilegiado de escuta do Povo de Deus...”. (EC, n.6)

 

Nós Missionárias de Jesus Crucificado, congregação brasileira com 91 anos de existência, estando desde do ano 1946 com diversas comunidades espalhadas na extensa dimensão do território Amazônico, confirmamos o nosso carisma de “estar junto aos mais necessitados” conforme o seguimento de Jesus Cristo, "A missão da Igreja é viver o Evangelho, e viver o Evangelho é promover a vida, é se opor a realidade de direitos negados a índios, ribeirinhos, pescadores, quilombolas, extrativistas e mulheres amazônicas. Como Congregação que acompanha os povos da Amazônia, conhecemos seus gritos, mas também sua riqueza de cultura, espiritualidade e cuidado com o planeta.

Diante dos discursos de ódio e agressão do atual governo, que estão servindo de combustível para a invasão territorial e ações violentas contra os povos originários em nosso país. (Emyra, esfaqueado próximo à sua aldeia Waseity, foi brutalmente assassinado e suas terras invadidas pelos garimpeiros).

Diante das atitudes machistas e misóginas da direção do Ministério da Mulher, da família e dos Direitos Humanos, que devido ao seu total desconhecimento da realidade dos povos amazônicos, se reporta com total falta de respeito à condição de vida das mulheres e crianças amazônicas.

Diante da vulnerabilidade que vivem os povos da Amazônia e pela falta de políticas de proteção na região; muitos e muitas são levadas à exclusão e à morte pela presença do tráfico humano, da exploração sexual, do trabalho escravo e do crime organizado.

Frente a este contexto, a Igreja, na pessoa do Papa Francisco, sente o apelo de uma resposta profética, propondo “Novos caminhos para a Igreja e para uma Ecologia Integral”.

O Sínodo para a Amazônia tem “a oportunidade histórica de se diferenciar claramente das potencias colonizadoras, ouvindo os povos amazônicos para poder exercer com transparência seu papel profético” (Instrumentun Laboris - 7). Muitos lutaram e lutam por uma ecologia que preserve a natureza, a vida, a cultura dos povos originários e daqueles que, ao longo dos séculos, foram levados para lá para serem explorados, muitas vezes, em regime de escravidão.

Ressaltamos a beleza dos que vivem uma espiritualidade integrada com a natureza; “...diferentes povos que experimentam o Dom de Deus segundo a própria cultura...” (EG, n.116); através dos ritos de iniciação, narrativas milenárias dos povos indígenas e comunhão partilhada de suas colheitas, enriquecendo a vida cristã.

Viemos explicitar publicamente o nosso apoio ao Documento do Vaticano intitulado “Instrumentum Laboris”, documento de trabalho que será utilizado pela Assembleia Sinodal para a Amazônia, que se realizará de 06 a 27 de outubro de 2019 em Roma. E rechaçamos qualquer busca irresponsável de invalidar o documento por particulares e movimentos católicos extremistas, que deixam claro o seu desconhecimento territorial, cultural e espiritual dos povos que aí vivem.

 

Equipe de Coordenação Geral das Missionárias de Jesus Crucificado.

                                                   Campinas-SP, julho de 2019